quarta-feira, março 07, 2007

Afinidade.




A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,

delicado e penetrante dos sentimentos.

É o mais independente.


Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,

as distâncias, as impossibilidades.

Quando há afinidade,

qualquer reencontro retoma a relação,

o diálogo, a conversa,

o afeto no exato ponto em que foi interrompido.


Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.

Do subjetivo para o objetivo.

Do permanente sobre o passageiro.

Do básico sobre o superficial.


Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe

não precisa de códigos verbais para se manifestar.

Existia antes do conhecimento,

irradia durante e permanece

depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,

sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando parecido

a respeito dos mesmos fatos que impressionam,

comovem ou mobilizam.É ficar conversando sem trocar palavras.

É receber o que vem do outro com aceitação anterior

ao entendimento.



Afinidade é sentir COM,

não é sentir contra,

nem sentir PARA,

nem sentir POR,

nem sentir PELO.

Quanta gente ama loucamente,

mas sente CONTRA o ser amado?

Quantos amam e sentem PARA o ser amado,

não para eles próprios?


Sentir com é não ter necessidade de explicar

o que está sentindo.É olhar e perceber.

É mais calar do que falar, ou,

quando é falar, jamais explicar:

apenas afirmar.


Afinidade é JAMAIS sentir POR.

Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.

Mas quem sente COM, avalia sem se contaminar.

Compreende sem ocupar o lugar do outro.

Aceita para poder questionar.

Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.




Afinidade é ter perdas semelhantes

e iguais esperanças.

É conversar no silêncio,

tanto nas possibilidades exercidas

quanto das impossibilidade vividas.


Afinidade é retomar a relação

no ponto em que parou

sem lamentar o tempo de separação.

Porque tempo e separação nunca existiram.

Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,

para que a maturação comum pudesse se dar.

E para que cada pessoa pudesse

e possa ser,cada vez mais

a expressão do outro

sob a forma ampliada

do eu individual aprimorado.






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