domingo, outubro 30, 2011

Histórias que só acontecem comigo: COSTURADA VIVA NA BECA!

 Grandes eventos são sempre um problema! Sei lá parece que existe algo estranho no ar quando estas festividades estão me cercando.
 Tudo começou no dia da foto deste post, vocês já sabem que eu sou super magra e que algumas vezes tenho problemas com isso. Era a foto da placa da minha primeira formatura, como vocês podem ver em Comércio Exterior. Recebemos a beca, nos arrumamos, colocamos a faixa...A minha foi um problema, Isaac (esse rapaz lá em cima do lado esquerdo da tela) teve que amarrá-la em mim porque os alfinetes que mandaram não davam conta de segurar a faixa na minha cintura. Fizemos as fotos e fomos para casa levando a beca.
 Dia da colação de grau, milhares de coisas para fazer, tentei fazer tudo o mais rápido possível, no final da tarde fui ao salão e estava lotado. A colação começava às 20h e eu só saí do salão as 19:30h. Vocês sabem, a gente tem que chegar mais cedo, assinar os documentos da colação e eu estava atrasada!!!
Passei em casa correndo, peguei a beca e saí as pressas para a Concha Acústica. Pablo Rafael, meu padrinho, já estava me esperando. Comecei a vestir a beca e de repente percebo que a faixa não está dentro do pacote, gelei! Refiz o percurso, procurei por todos os lugares, mas não achei a faixa! Perdi a bendita identificação do curso e eu tinha que fazer fotos, filmagens e receber o grau do Reitor.
Liguei para minha mãe pedindo para ela ver se a faixa não tinha ficado em casa, não estava lá. Ela teve uma brilhante idea: Roberta, eu tenho aquele vestido azul de babados ele é da mesma cor da tua faixa, eu vou cortar um deles e levar aí para colocar em você! Perceberam a magreza da garota? o babado da saia de um vestido serviu como um cinto!
Minha mãe chegou, pegou a agulha e a linha, esqueceu a tesoura (guardem a informação) e começou a costurar a faixa. Ficou ótimo! Fiz minhas fotos, filmagem, recebi o grau, estava feliz, mas tava um calor! Quando eu fui tirar a beca, depois da solenidade, percebi que mamãe costurou a beca, a faixa e minha roupa, tudo junto! Eu não podia tirar a beca sem ficar nua e desta vez não é uma gíria.
O pior não é isso é que meus pais são daquele tipo coruja! Foi levar a filha para jantar fora, para casa da avó, passear na rua, tudo com a beca costurada no corpo! E todo mundo me perguntando:
Por que você ainda está de beca??? - Poque minha mãe costurou a faixa em mim.
Por que você não corta as costuras??? - Se tivesse uma tesoura....




quinta-feira, outubro 27, 2011

Histórias que só acontecem comigo: O Terror do RU




Para quem não sabe RU é o nosso Restaurante Universitário, é assim que chamamos aqui no Ceará o bandejão.
O nosso curso era integral, apesar de termos passado para o primeiro semestre letivo e termos a preferência nas cadeiras da manhã, fazíamos várias disciplinas à tarde e como bons pobres estudantes almoçávamos no RU. Eu era uma descarada podia deixar a preguiça de lado e ir almoçar em casa, era bem perto poderia ir a pé, mas eu ia? Não! Eu gostava da farra com os amigos.
Todo dia tinha um cardápio diferente, o preferido da galera era a Quarta-Feira dia da Feijoada ou do peixe congelado da Era Mesozóica e um suco sem identificação de sabor que nós só reconhecíamos pela cor, então era suco de roxo, de amarelo, de vermelho e tinha o de laranja que não era de laranja ou era, não sabemos, mas a cor era laranja.
Era Quarta-feira a aula terminou tarde, estávamos mortas de fome Rebecca e eu fomos ao RU. A fila estava enorme, pegamos nosso R$ 1.10 e compramos o almoço quase 15 minutos de espera chega a nossa vez de servir nossa bandeja, tudo lindo, pegamos nosso doce (guardem essa informação), mas onde estavam os talheres? Isso mesmo queridos leitores, não tinha talheres (isso me lembra outra história de talheres, não é Rebecca?).
Fomos até a mesa e a Rebecca teve uma idéia, ela disse: - Roberta, olha os nossos pratos para ninguém pegar e eu vou pegar nossos talheres. Estava um calor desgraçado aí eu percebi que tinha uma mesa vaga perto dos ventiladores , peguei minha bandeja coloquei na mesa, virei e peguei a bandeja da Rebecca... bem, quer dizer.
Rebecca veio com os talheres e começa a almoçar  estávamos conversando, rindo quando ela comenta:
Rebecca- Roberta, esta feijoada está muito apimentada.
Roberta- Não, a minha está normal.
Rebecca- valha, eu coloquei salada no meu prato?
Roberta- Colocou, tu num ta vendo não?
Rebecca- Bruta!
Roberta- Deve ser a linguiça, mas a minha ta de boa.
Rebecca- Afff, não estou aguentando, vou comer o meu doce para ver se melhora.
Ela olha para o lado, olha para mim assustada e pergunta: - Roberta, cadê o meu doce?
Roberta- Que doce menina?
Rebecca- O doce que eu coloquei no meu prato, tenho certeza. Roberta, esse prato não é o meu!
Gente, não era mesmo, eu fiquei nua, cometi o pior crime que uma pessoa pode cometer a um estudante: ROUBEI O ALMOÇO DE UMA PESSOA NO RU. Eu sugeri que saíssemos de fininho. – Vamos embora, Rebecca? Eu confundi o prato da Rebecca com o de outra pessoa, quando saímos passamos em frente da mesa que nós estávamos antes de começar a almoçar e estava lá uma bandeja sem dono e um doce abandonado.

terça-feira, outubro 25, 2011

Histórias que só acontecem comigo: 15 anos

Assim, algumas coisas só acontecem comigo, quando eu conto minhas histórias as pessoas duvidam da veracidade dos fatos. Aprendi com um professor chamado Sânzio de Azevedo que às vezes a realidade é tão inacreditável que é necessário alterar dados para que ela seja mais verossímel, é o real mais real do que o real.

Apresento-lhes a história dos 15 anos, famoso 15 anos, aquela data que as meninas ou quase mulheres estão aflorando e precisam mostrar para a sociedade a transição deste momento. A menina sonha com a festa, a valsa, o vestido, o príncipe....aí o príncipe. -Que tédio!

Claro que não vou falar dos meus 15 anos. - Que festa o que, frescura é essa de vestido rodado e príncipe? com 15 anos eu era metaleira e só usava preto, jamais na minha vida eu colocaria um vestidinho cheio de babados para dançar com um príncipe. Meus 15 anos eu passei na Europa, morta de fina, passeando pela Holanda, França, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo!

Qual é o segundo 15 anos mais importante do que o seu? O da sua amiga! Claro, amiga! porque amiga que é amiga vai pros 15 anos da melhor amiga de caixinhos no cabelo, vestido de babado e dança com o príncipe amado secreto da amiga! Só uma exigencia....vestido rosa não!!!!!! Por favor.

Não foi, foi lilás! E começa a odisséia! Saga número 1: Encontrar um vestido que caiba nesta que vos escreve, nenhum vestido da loja...eu digo NENHUM cabia em mim, porque eu era magra demais. Resultado: Temos que alterar o vestido- falou a moça da loja. Eu era a melhor amiga da aniversariante, eu tinha que ir. Eu ainda tentou avisar dizendo: É um sinal, mas a aniversariante insistia.

Dia da entrega do vestido: Saga número 2 o vestido cabia? Não querido público apesar de ter sido apertado o máximo possível, ainda estava frouxo, mas teve que ser assim.

Eu vou ao cabelereiro...todas tinham que ter cachos e o meu cabelo era liso....era liso nessa época, mas meu cabelo era liso demais para fazer baby liss, não dava certo, tivemos que fazer uma mistura de gel, com laquê fizeram uns grolados lá enrolaram com uns bobs e tudo parecia correr bem.....mas na hora de fazer o penteado.....os cachos não desciam, ficaram todos pregados na cabeça, a mulher puxava eles enrolavam, foi uma baixaria, eu só fazia rir e a cabelereira deseperada e meus cabelos lá, igual ao da Dona Florinda!

Depois da grande saga que foi fazer os meus cabelos, chega a hora da festa, visto a roupa, faço a maquiagem, vou a festa. Estava tudo lindo, as damas todas lá e o que acontece???? TAM, TAN TAN!

Quase na hora do baile, na hora que a cerimonialista está chamando as daminhas, a saia de baixo do meu vestido, aquela que dá sustentação a roupa....caí no chão! Isso mesmo caiu no chão....a gata ficou nua!!!! Quase literalmente! Lá vai eu enrolar a saia na calcinha, amarrar os pedaços de pano que tinha, dei um jeito....para minutos depois, na hora do baile o meu par da fazer o favor de ficar me rodando e jogando de um lado para o outro até eu quase cair com as pernas para cima porque o BRUXO me jogou na caixa de som!

A noite terminou bem, voltamos para casa felizes, meus cabelos estão enrolados até hoje e o príncipe que eu dancei é hoje o marido da minha amiga!!!!

Se alguém quiser casar mando o príncipe aí para eu dançar com ele =D










sexta-feira, outubro 14, 2011

Sonhalidades


Foi difícil chegar ao lugar do encontro a moça percorreu um labirinto inteiro, teve que passar uma trincheira, atravessar um deserto, ser perseguida por seus inimigos que a cercaram e prenderam-na. Quando parecia sem saída escutou uma voz em seu interior: " Levanta-te, grita e ordena que todos sejam destruídos.
Durante o massacre uma criança disse: "Não faça isso com a gente não somos culpados pelos crimes dos nossos pais." A moça teve misericórdia e não continuou com a vingança.
Depois da guerra pediu a companhia de uma velho amigo para chegar em casa. Quando chegou percebeu que tinha alguém esperando por ela! Ela viu que o moço tinha deixado seus tênis sujos e surrados na porta...era o sinal! Ele já estava lá. Ela tinha esperado tanto e agora ele estava ali, atrás da porta. Ela tentou abrir a porta sutilmente, mas ela a abriu de supetão, abruptamente ela caiu dentro do quarto.
Olhou ao redor, apesar de não enxergá-lo, certamente havia mais alguém naquele quarto, ela já sabia que ele viria, sabia que eles se encontrariam, o encontro já havia sido marcado. Ele saiu do banheiro. O coração dela acelerou. Eles se olharam. Ela abriu um sorriso. Ele sorriu de volta e abraçaram-se amigavelmente. - Gordinho, você. Disse a moça. Ele apenas riu. Estavam alegres.
- Para você! - disse o rapaz. Era um pacote meio sem forma, pela cara dele devia ser uma blusa do time que ele torcia, ela claro, torcia para o time adversário essas implicâncias faziam parte da amizade dos dois, ela adorava.
Ela abriu o pacote e viu lá dentro dois vestidos verdes, vaporosos, estampados como as fadas ou seriam como as borboletas? Eram lindos!
Tudo tinha sido precisamente preparado, mas, ao olhar em volta, percebeu que algo estava fora do lugar. Não, tudo estava fora do lugar, nada estava no lugar que ela havia deixado, ela olhou e só viu desordem, roupas jogadas no chão, papéis voando, a cama bagunçada, seus jarros estavam todos quebrados suas pedras que fingiam ser preciosas todas jogadas no sanitário...eram tão bonitas e coloridas.
A moça deixou o amigo de lado e começou a arrumar a bagunça, precisava organizar aquele espaço para seu amigo ficar bem, ele parecia alheio, não ligava, queria sair e ela queria ir com ele. A moça chegou a pensar se não tinha sido o moço o responsável pela bagunça, afinal só ele estava lá. Ele não se sentia culpado e ela não o responsabilizou pela desordem.
Ele podia ir embora se quisesse, ela queria ir junto, mas se ele queria ir embora, que fosse! Ela tinha novos amigos, novas oportunidades, novas coincidências...Ele não foi, preferiu segui-lá, aí então a moça acordou!

quarta-feira, outubro 12, 2011

A Borboleta Preta



A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, sai do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

Também por que diabo não era ela azul? Disse comigo.

E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saira do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas.

Passa pela minha
Janela entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: "Este é provavelmente o inventor das borboletas." A idéia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir-lhe misericórdia.


O texto, o entretexto, o intertexto e as entrelinhas das minhas borboletices.


Memórias Póstumas de Brás Cubas. Borboleta Preta. Machado de Assis.