sábado, março 17, 2012

Caio Fernando de Abreu: Às vezes lembro dele...




Às vezes me lembro dele sem rancor, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar- e principalmente a fingir. Fingir que encontra . Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria reconhecê-lo. (ABREU, Caio F.)

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