Pelas questões que tenho recebido,
percebo que muitas decepções poderiam ser evitadas se não houvesse
expectativas que fogem, e muito, da realidade.
Há mulheres que tomam como garantia de
que estão tendo uma relação séria com alguém o fato de esse alguém
declarar, por exemplo, que está gostando muito delas, e de se
comunicarem várias vezes por dia, seja por e-mail ou telefone. Na
verdade, sequer se conheceram pessoalmente, ou, em outros casos, se
viram apenas uma ou duas vezes.
Não me interessa, nesse caso, se a
pessoa que cultiva a fantasia dessas mulheres tem ou não caráter, se é
um indivíduo imaturo ou inexperiente, volúvel, se é um neurótico a se
divertir com o fato de construir sonhos para depois frustrá-los. O que
interessa é a posição da mulher diante de manifestações pouco sólidas e
improváveis. Por que motivo, acreditam tão piamente em meras palavras
quando se relacionam com homens que mal conhecem? Boa fé e ingenuidade,
costumo dizer, são traços inadequados para os dias que estamos vivendo.
Mais vale uma dose razoável de desconfiança, sem precisar chegar,
acredito, àquela máxima dos tempos da ditadura, em que fulano era
culpado até prova em contrário.
Sem dúvida, o ideal seria o inverso:
fulano é inocente até prova em contrário. Se você prefere que seja
assim, é aconselhável, pelo menos, manter um pé atrás como medida de
precaução. Relações duradouras precisam de tempo para a construção das
bases. O que não é possível é ver mulheres se queixando de que os homens
brincam com seus sentimentos. Sim, pode ser que eles brinquem. Num site
de relacionamentos, também há pessoas que só querem se divertir e
algumas fazem brincadeiras de mau gosto. Mas será que mulheres modernas
não sabem se proteger? Por que insistir em acreditar nos contos de
fadas? Nesses contos, não há imprevistos, a não ser os positivos, e
quando surgem atropelos, são corrigidos por um final feliz.
Um homem me diz que vai tomar um avião
para conhecer uma mulher em outro estado. E olha que nosso país é grande
e as passagens aéreas são caras. Mas vale a pena um esforço para
conhecer aquele ou aquela que dão a impressão de que podem ser a pessoa
capaz de nos fazer feliz. Além do mais, é bom conhecer o país em que se
vive…
Pelo perfil (com belas fotos) e através
de contatos por e-mail e telefone, ele está convencido que aquela mulher
tem tudo para ser a mulher da vida dele. Se for um homem inseguro, irá
se preocupar, em primeiro lugar, em ver se é aceito por ela. Não parece
preocupado em saber quem é de fato essa mulher que está indo encontrar.
Provavelmente só irá perceber o que deseja. Olhou, gostou, conclui que
ela é aquela que procurava e já a toma como objeto de sua propriedade. A
mulher percebe e se tiver uma boa cabeça, rapidamente conclui que ali
existe alguma coisa errada. Muita precipitação e um senso de observação
precário são sempre sinal de pouco equilíbrio emocional. Afasta-se. Ele
fica deprimido. Ora, os encontros têm exatamente como objetivo uma
avaliação mais fundamentada. Como é possível se imaginar que todos os
encontros vão selar um compromisso? Podem também dar fim a um
mal-entendido, a um engano. Podem apostar!
Ia tudo tão bem, diz uma jovem senhora.
Ele vinha de outro país para nos encontrarmos e estávamos apaixonados.
(Ela não se dá conta de que para se usar o pronome “nós” e falar por
alguém, é preciso muito conhecimento e convivência.) Falávamos horas ao
telefone. Surgiu um trabalho em outro lugar e, subitamente, ele comunica
que está tudo terminado entre nós. Ela passa a sofrer intensamente e
afirma que não acreditará mais em homem algum. Melhor assim. Melhor do
que acreditar em todos. Confiemos que há de chegar o momento em que ela
saberá ser mais crítica e cuidadosa, apaixonando-se, não pelo que
idealizou, mas por alguém que lhe dê motivos mais concretos para tal.
Longe dela, imaginar que seu “príncipe” talvez já estivesse em contato
com outras mulheres e que, de repente, conheceu alguém que lhe pareceu
mais conveniente, ou que tenha lhe atraído mais. Isso acontece!
Nos apaixonamos e só então ele me
revelou que é casado! Bem, essa é uma velha técnica. Ele não iria dizer
que é casado logo de saída: você poderia ser do tipo que se recusasse a
manter uma relação com um homem casado ou, quem sabe, iria “exigir” que
ele lhe dissesse que estava para se separar, que é infeliz com a mulher e
já não transa com ela. Ele prefere esperar que você se apaixone e aí,
não em consideração a você, mas pensando nele mesmo, nos incômodos que
você pode vir a causar, conta a verdade. Quando o faz, é como se
dissesse: Está em suas mãos. Se quiser continuar comigo é nesses termos.
Não posso ou não pretendo me separar por causa dos filhos pequenos, da
pobre mulher tão dedicada, tão dependente etc. etc.
Se você entra numa relação sem usar seus
instrumentos mais refinados: sensibilidade, autopreservação,
auto-estima etc. não deve se queixar que a culpa é do outro. O outro nem
sempre consegue se cuidar bem, quanto mais cuidar de você, se ainda nem
sabe direito quem é. Alguns detectam, muito depressa, que você é
ingênua e que já o toma por alguém que conhece há muito tempo. Uns se
afastam – os bem intencionados – outros se aproveitam dessa situação.
Mensagem: Procure se conhecer bem, saber
em que mundo está vivendo, e não se entregue de corpo e alma ao
primeiro que lhe diz: Estou apaixonado por você! Quero me casar com
você! E isso é válido para os homens que se empolgam com garotas
espetaculares! Garanto que as decepções serão menores ou não haverá
decepções.
Thaïs Sá P.Oliveira
Psicóloga (05/1821) e Psicanalista
Consultora do Site para problemas de relacionamentos.
Fonte: http://www.muleburra.com/mb/2011/02/14/decepcoes-perfeitamente-evitaveis/

Um comentário:
Essa vai doer em muita gente... Mas queridos repasso esse texto com amor!
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