
Ciúme é medo de perder alguém ou alguma coisa. E todo mundo tem (a seguir provas científicas).
Todos conhecemos aquela teoria filosófico-transcendental entitulada “quem tem c*, tem medo”, correto? E todo mundo tem c*, salvo casos extremamente improváveis que eu nunca nem ouvi falar, mas por via das dúvidas… (todo mundo tá acompanhando o ranciocínio??). Agora, se ciúme é uma manifestação do medo, conclui-se que: ou você admite que tem ciúme ou admite que não tem c*. (Vai insistir que não é ciumento???)
Eu, por exemplo, tenho ciúme, medo, cu, tudo isso e muito mais, embrulhado num lindo pacote de cinqüenta e blaw quilos (achou mesmo que ia falar??).
É lógico que cada um sente ciúme numa intensidade diferente. Há casos patológicos e há pessoas mais desapegadas. Mas ciúme a gente só não tem daquilo que não ama.
Tenho ciúmes não só de namorados, mas também de amigos, objetos e principalmente do meu carro (que não se enquadra em objeto, ok?? É muito mais que isso!!). Agora imagina a cena bizarra:
Era um sábado à noite (dia internacional do “esteja-com-seu-namorado-ou-tome-um-chifre”), estávamos em sua casa e ele recebe um telefonema de um amigo que não via há séculos, convidando pra beber uma cerveja. Ele disse que não iria, porque estava comigo.
[Pausa para uma lição de “lendo o discurso masculino nas entrelinhas”: se ele simplesmente não quisesse ir porque preferia ficar com você, ele NUNCA diria que era por SUA causa (a menos que estivesse empenhado em apenasmente te comer). Se ele disse, e na sua presença, é porque está tentando te forçar a dizer algo do tipo “vá, querido, não tem problema.”]
Provando que sou burralda e não é à toa, eu disse exatamente o que ele queria ouvir. Disse entre os dentes, mas disse.
Ele foi se arrumar, todo serelepezinho. Mas nesse meio-tempo começou a chover e, como ele iria de moto, “desistiu”. “Desistiu”, assim entre aspas, porque mais uma vez o subtexto funcionou:
- Se fosse de carro eu ainda me animava… mas assim… de moto… ter que botar capa e tudo mais…
Agora valendo uma passagem pra Baía de Guanabara, o que Antânia respondeu???
- Vai com o MEU CARRO então, meu amor…
Na verdade eu acho que só arrisquei dizer isso porque tinha certeza que teria uma parada respiratória antes de acabar a frase. Tendo em vista que tal fato não ocorreu, não tive saída senão, a auto-flagelação, me beliscando discretamente (ainda bem que eu não fumo).
Naquela noite eu mal consegui dormir. Fiquei imaginando ele na boate, fuzilando geral e comentando com os amigos, sobre como sua namorada (aquele jaburu, ele diz) é tão idiota que chega dar pena: “Me emprestou o carro e vai ser nele mesmo que eu vou comer aquela ali, ó!” (Aliás… Deus! Por que nos fizestes com uma imaginação tão perversa???).
Imaginar ele com alguém no MEEEU CARRO era tão doído… Não sabia de quem estava com mais ciúmes. Dele ou do carro.
É claro que não poderia impedi-lo de sair sozinho a vida inteira (isso seria um daqueles casos patológicos). Mas, pode ter certeza…
No MEEEU CARRO?!? NUNCA MAIS, GATO!!!
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